RALIS | Vitória sem espinhas para Armindo Araújo
- Por Ricardo Ferreira
- 7 de jul. de 2020
- 5 min de leitura

ARMINDO ARAÚJO VOLTOU À COMPETIÇÃO, NA NOVA NORMALIDADE QUE SE VIVE, E EM GRANDE ESTILO! O PILOTO DO SKODA FABIA R5 TEVE UM TRIUNFO SEM ESPINHAS NA EDIÇÃO DE 2020 DO RALI DE CASTELO BRANCO, APENAS AMEAÇADO NO PRIMEIRO DIA PELO CITROEN C5 DE JOSÉ PEDRO FONTES.
A prova que a Escuderia Castelo Branco colocou na estrada marcou o regresso dos ralis ao ativo após a paragem forçada pelo surto epidémico. Bruno Magalhães foi o segundo mais forte e o campeão nacional de ralis em título, Ricardo Teodósio, completou o pódio. José Pedro Fontes, apenas a 1,1s de Araújo, viu cair por terra a luta pelo triunfo após problemas com o carro, afundando-se na classificação.

85 CONCORRENTES
No regresso à competição, a lista de inscritos ficou completa com 85 concorrentes que não escondiam as saudades que tinham dos ralis. Com sete troços e quase 100 quilómetros contra o cronómetro, a Escuderia de Castelo Branco preparou uma versão adaptada ao período que se vive.

A nível competitivo, Araújo chegou à Beira Baixa como vencedor da edição de 2019 e líder do campeonato depois da vitória na primeira ronda do ano, o Rali Serras de Fafe. Depois de ter ganho com um Hyundai i20 R5 no ano passado, o tirsense mostrou ao que vinha com o melhor tempo na classificativa inaugural.

Contudo, e apesar de ter mantido a liderança, no primeiro dia não voltou a vencer. Esse privilégio foi para Bruno Magalhães, que em Hyundai i20 R5 estabeleceu a melhor marca no segundo troço, e para José Pedro Fontes, que se impôs na terceira especial com o Citroën C3 R5.
TIRA-TEIMAS

No domingo realizou-se a segunda etapa do Rali de Castelo Branco. As duplas passagens por Dáspera - Salgueiral e Santo André das Tojeiras eram a ementa do dia. De novo, Armindo Araújo voltou a ser melhor no arranque. A diferença para a concorrência foi evidente e isso deu-lhe margem para gerir. Saiu do primeiro troço da manhã com 10,5 segundos do que o segundo classificado, Bruno Magalhães.
Já José Pedro Fontes teve problema no seu carro e perdeu mais de dois minutos caindo de segundo para 12º no final da primeira secção. Ricardo Teodósio apresentou-se mais competitivo do que no dia anterior mas, ainda assim, sem capacidade para vencer especiais, enquanto Pedro Meireles e João Barros seguiam à distância os três primeiros.

À tarde, tudo se decidiria. Na última classificativa da manhã, Bruno Magalhães ainda encurtou distâncias mas Armindo Araújo aproveitou a segunda passagem por Dáspera - Salgueiral para quase fechar as contas da classificação a seu favor. Não foi o mais rápido. Quem venceu foi um agora atrasado José Pedro Fontes. Mas o segundo melhor tempo do homem do Skoda fê-lo aumentar a vantagem sobre Bruno Magalhães, novamente, para 10,5 segundos, enquanto Ricardo Teodósio se contentava com o último lugar do pódio.

O último troço, Santo André das Tojeiras 2, foi a Power Stage, o que significava pontos extra para os três mais rápidos. Aí, Bruno Magalhães voltou a impor-se e juntou três pontos aos 22 do segundo lugar final. José Pedro Fontes conseguiu o segundo tempo e Armindo Araújo fechou a sua participação em Castelo Branco com o terceiro registo na Power Stage e a vitória na classificação geral.
Com este resultado, Armindo Araújo, isola-se no segundo posto com duas vitórias, só atrás de José Pedro Fontes e Joaquim Santos, os únicos pilotos que já venceram a prova da Escuderia Castelo Branco em três ocasiões.
“O rali correu-nos muito bem. Entrámos a ganhar. Dominámos o primeiro dia. Hoje também dominámos o dia. Acho que mostrámos uma excelente atitude. A equipa fez um excelente trabalho. O carro esteve sempre impecável e nós atacámos e defendemos quando devíamos. Gerimos a prova. Estivemos sempre no sítio certo, à hora certa e isso traduziu-se numa vitória que foi muito importante para nós”, afirmou o vencedor do Rali de Castelo Branco, Armindo Araújo.

Apesar do segundo lugar não ser o resultado mais ambicionado, Bruno Magalhães sai de Castelo Branco muito contente com o regresso da modalidade à estrada. “Foi um rali extremamente competitivo. Acho que foi o regresso perfeito dos ralis. A organização fez um trabalho excelente e nós, pilotos e equipas, cumprimos, penso, na perfeição. Acho que foi um enorme sucesso e mostrámos a toda a gente que o desporto automóvel pode ser uma referência. O segundo lugar é o resultado possível. Lutámos pela vitória. Infelizmente não conseguimos ganhar, mas vamos continuar na luta.”

A dupla campeã nacional Ricardo Teodósio / José Teixeira tiveram um fim de semana agridoce, que terminou com um pódio algo inesperado.“Foi um rali algo frustrante, porque fizemos uma escolha errada de pneus no sábado e isso retirou-me confiança no carro. Para que eu possa andar no limite é preciso ter confiança absoluta, por isso o terceiro lugar acaba por ser importante pelos pontos que acumulámos, visto que não conseguimos discutir a vitória como queríamos."

"Vamos agora analisar este rali e preparar bem a prova na Madeira”, apontou Ricardo Teodósio, que também enalteceu o espírito cívico que imperou num evento onde o Team Vito Skoda entregou um lote de equipamentos de proteção individual aos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco.
Pedro Meireles (Volkswagen Polo R5) e João Barros (Citroën C3 R5) completaram o lote dos cinco primeiros. Uma nota para José Pedro Fontes que, apesar dos percalços mecânicos, ainda conseguiu terminar em décimo. Miguel Correira e Manuel Castro, ambos em Skoda Fabia R5, ficaram em sexto e sétimo, respectivamente, enquanto Carlos Martins, concluiu a prova em oitavo.
Pedro Antunes estreou, a par de Pedro Almeida, fez a estreia mundial do Peugeot 208 Rally4 e terminou na nona posição com o estatuto de melhor concorrente com um carro de duas rodas motrizes.
O Campeonato de Portugal de Ralis ruma agora ao Rali Vinho da Madeira, terceira prova da temporada, a disputar de 6 a 8 de agosto.
O Campeonato de Portugal de Ralis ruma agora ao Rali Vinho da Madeira, terceira prova da temporada, a disputar de 6 a 8 de agosto.
Vítor Pascoal dedica vitória nos GT em Castelo Branco

O bicampeão nacional de Ralis GT abriu a sua época nos ralis com um triunfo em Castelo Branco, resultado que Vítor Pascoal dedicou à memória de Domingos Mota. Piloto do Porsche 991 GT3 Cup, navegado por Ricardo Faria, superou condições difíceis no asfalto da Beira Baixa.

“Esta vitória é para o Domingos”, dedicou Vítor Pascoal. “Lembrei-me dele em vários momentos durante o rali, até na altura das verificações, porque era ele que costumava levar o carro para ser verificado. Emocionalmente não foi fácil disputar esta prova, mas o facto de o asfalto estar muito sujo tornou tudo ainda mais difícil. Não são condições indicadas para os GT, por isso só o facto de termos chegado ao final já é positivo. Este resultado só foi possível com a ajuda de um grupo de amigos, que foram fundamentais para estarmos no rali e a quem tenho de agradecer por todo o apoio nesta fase”, afirmou o piloto do Baião Rally Team, que vai agora preparar o Rali Vila Medieval de Ourém, agendado para 22 e 23 de agosto.
José Cruz vence entre os Clássicos

Ao volante de um Porsche 911 SC, José Cruz foi o melhor entre os concorrentes do Campeonato de Portugal Clássicos de Ralis. A supremacia foi tal que deixou Pedro Leone, em Ford Escort RS Cosworth, a quase 2m30s de distância. Nuno Mateus, em Mitsubishi Lancer Evo IV, completou o pódio.
Armando Carvalho é o rei do Campeonato Centro de Ralis

Foi também sem espinhas que Armando Carvalho conseguiu vencer o Rali de Castelo Branco pontuável para o Campeonato Centro de Ralis. O piloto do Mitsubishi Lancer Evo V venceu todas as classificativas da prova e chegou ao final com uma vantagem a rondar o minuto sobre Daniel Ferreira (Mitubishi Carisma GT).








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