TESTE | Pagani Zonda LM: 700 CV e 4,6 milhões de euros!
- MIKE RODMAN
- 1 de mar. de 2018
- 4 min de leitura

É assustador e exige respeito, muito respeito, sobretudo se o conduzimos numa estrada com placas de gelo aqui e ali. O Pagani Zonda LM tem 700 CV e custa 4,6 milhões de euros, o mínimo toque... custa uma reparação milionária!
Para enquadrar o teste de Pagani Zonda LM, deixa-me dizer-te que vivemos bons tempos para carros extremos. O Touring Superleggera e Zagato com os seus projetos, significaram a estreia de modelos de produção muito limitados no concurso de elegância de Villa d'Este.
A divisão SP da Ferrari, mais uma vez, coloca as raízes da empresa em veículos únicos, dando aos seus clientes ricos resultados que geralmente provêm de caprichos. As raridades são a última, a maior parte, e nada é mais raro ou mais desejável do que um carro exclusivo, especialmente se for italiano! Ou, ainda melhor (o melhor de tudo, na verdade), um Pagani Zonda LM.

Ok, Horacio Pagani é argentino, mas não é um fabricante convencional. Ele era um especialista de fibra de carbono; E já o era na Lamborghini, onde trabalhou, suspendendo a sua divisão de projetos especiais no início dos anos 90. Horacio disse adeus à Lamborghini e começou a construir o seu próprio carro e cinco anos depois, em 1999, o C12 apareceu.
E agora, na MOTORES, podes ler o teste do Zonda LM, um carro que provém de uma série especial para jogadores de futebol exibirem o seu ‘troféu’ aos amigos e desconhecidos, em qualquer rua, em qualquer cidade ou no lugarejo mais recôndito, um carro para milionários, estrelas de cinema, da música, ou para colecionadores – aqueles que melhor sabem lhe dar o devido valor. Um Pagani é um Pagani mas, se for um Zonda é o Zénit mais perto do Céu!
Obviamente, ficámos com a boca seca de tanto esperar para o conduzir… uma loucura Senhores (as)! O que temos aqui é um Zonda no seu melhor, um objeto exótico de 4,6 milhões de euros, com 700 cv e carroçaria de fibra de carbono.

Porque se 'luta' ao volante com um Zonda LM
Estamos em Gran Sasso, uma vasta área de um belo parque natural perto de L'Aquila, em Itália. A estrada não só serpenteia entre montanhas, é praticamente deserta. E, ainda melhor: os ganchos que existem no sopé da montanha, são muitos e dão origem a slides maravilhosos. Sinceramente, nunca me senti tão perto dos céus!
Muitas coisas acontecem quando ‘lutas’ ao volante com um Pagani. Sentes que é um carro superveloz e, ao mesmo tempo parece-te uma obra de arte, uma escultura. Só precisa de sentar-te, sentir e levá-lo. Bem, não é assim tão simples, este Zonda LM é assustador e exige respeito. Oferece-te um interior maravilhoso, semelhante ao cockpit de um jacto supersónico dos ‘noventa’, enquanto aos cantos observas os flancos altos dos guarda-lamas… como se estivesses a bordo de um antigo LMP1 de Resistência.

Por outro lado, com a sua traseira tão larga, a visibilidade fica reduzida a quase nada mas, depois, é muito, muito rápido quando aceleramos. O Zonda LM não é um carro para rodar suavemente, ou para andar por aí; o volante (sem airbag) torce continuamente nas mãos. Isto faz com que um Bugatti Chiron pareça tão dócil como um carro citadino...
E depois, sei que existe ainda um lado mais selvagem, no Pagani Zonda BC com os seu 750 cv que nunca experimentei. Quem sabe, talvez um dia o conduza, mas de preferência num circuito.
Para o dominar tens o controle do controle de tração, que desaparece na área sob a alavanca de mudanças; a segunda vez que o pressionei fiquei com a impressão que o motor tinha partido mas nada disso aconteceu…. Acho, afinal que foi uma falha minha, porque não sabia se o ASR estava ou não conectado… uma vez que não há luz que o indique no painel. O Zonda LM é um carro que te pede para ser conduzido por instinto, como um puro carro de corridas!


Mas teimei em saber se tinha ou não engrenado o ASR (controlo de tração) e a forma de descobrir foi acelerar com vigor numa curva para a direita, a subir e pressionar a fundo o acelerador. Sob o seu capô existe um motor 7.3 V12 ‘assinado’ pela AMG… logo atrás da minha cabeça. Em resumo, estar dentro do Zonda LM, é um lugar terrível para lembrar os princípios da física, que explicam por que razão os carros com motor central perdem o controlo de imediato. Não foi o que aconteceu!!!

A carga aerodinâmica de um LMP1 de Resistência
A frente tem um novo design para os faróis, mas se podes até ignorar esse aspeto, já o resto do carro em fibra de carbono não podes. Lembra o impressionante Pagani USP, seja pela entrada de ar no teto e pelos ailerons. Mas o USP gera uma força aerodinâmica de 750 kg a 300 km/h; o McLaren P1 GTR gera 660 kg a 240 km/h e, quanto a este Zonda LM, não tive nem tempo nem paciência para fazer as contas acerca da sua carga aerodinâmica. Mas também por um questão simples, o Gran Sasso não é o lugar melhor para o medir… o circuito de Silvestone ou o Paul Ricard são bem melhores para fazer essas contas e verificar a sua velocidade real.
No entanto, a Pagani sabe que o Zonda LM deste teste oferece mais de 700 cv, que a entrada na zona vermelha do conta-rotações é às 7.500 rpm. O sistema de escape possui um coletor de cerâmica e um silenciador de titânio. É azul e parece extremamente caro.

Para te sentires um Hamilton
Na estrada que me levava ao meu destino, apreciei o comportamento elástico e flexível, cortesia de uma suspensão em que as partes de magnésio, as molas de titânio e os amortecedores Öhlins replicam os veículos de competição. O chassis é feito de carbono e titânio, patenteado pela Pagani, o imediatismo de movimentos e o controlo total são impressionantes.

Existem três modos de gestão do motor, Confort, Sport e Race e pareceu-me que a transmissão automática robotizada de seis velocidades está um pouco desatualizada. O Pagani Zonda LM tem algum conforto, mas podes ter uma certeza: supercarros mais recentes (Ferrari, McLaren , Porsche ) estão a assumir a liderança neste aspeto… e não precisas de procurar muito - o Porsche 911 GT2 RS é suficientemente cómodo e ‘racé’ para bater este super Pagani.
Mas há uma coisa que deves colocar na tua cabeça: este carro tem a alma e corpo de um puro LMP1 de corridas. É por isso que Lewis Hamilton tem um guardado na sua garagem do Mónaco… mas com mudanças manuais!










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