VOLVO XC40 | O primeiro contato
- MIKE RODMAN
- 2 de mar. de 2018
- 5 min de leitura

O XC40 é a nova ferramenta, e talvez a mais importante, da oferta premium da Volvo. Caso venha a ter o mesmo sucesso dos irmãos mais velhos XC60 e XC90, o primeiro SUV compacto suéco pode ter um futuro brilhante pela frente.
Justamente, a identidade da Volvo é talvez o seu primeiro atributo para se demarcar da concorrência (BMW X1, Mercedes GLA e Audi Q3), muito à semelhança de um certo ‘jovem’ de nome Jaguar E-Pace. Este nicho de mercado (dos pequenos SUV compactos) está de muito boa saúde e recomenda-se! E mais. Estes dois modelos têm tudo para se atravessar no caminho dos seus rivais germânicos.

A nossa critica em relação ao triunvirato alemão, segue no sentido destes fabricantes se recusarem a seguir a ‘nouvelle vague’ de crossovers compactos que despontam como flores na primavera a um ritmo infernal – mas, nem no estilo, nem no tamanho há lugares a imitações… apenas a Volkswagen segue um caminho ligeiramente próximo com o T-Roc, embora distante da ‘receita’ premium do Volvo XC40 e Jaguar E-Pace.
Na verdade, o crossover alemão fabricado na Autoeuropa está muito mais próximo do económico e utilitário Renault Captur. Quanto ao XC40, este não se limita a reproduzir um XC60 a menor escala. É um digno membro da família Volvo, mas com um estilo muito próprio, de que serve como exemplo o teto de dois tons, os sulcos e os flancos esvaziados…
Até podes rir-te e chamar-lhe um pouco grosseiro para o teu gosto, demasiado largo, mas a verdade é que é um dos modelos mais robustos do segmento: tem 4,42 m de comprimento, a largura de um Mercedes-Benz GLA ou de um BMW X1 mas oferece algo mais. O interior é um pouco mais clássico (exceto com o opcional tapete alaranjado) e segue a preceito o espírito de outros modelos topo de gama da casa suéca!

É tecnológicamente suficiente. A instrumentação é assegurada por uma generosa tela digital de 12,3 polegadas; há também uma tela sensível ao toque grande de 9 polegadas, assim como um interface de mídia. Tudo está nesse dispositivo, inclusive o comando do ar condicionado! Nisso, não é lá muito Volvo… distancia-se dos grandes comandos e da ergonomia ultra-simples dos primeiros XC90 e V70.
Mas por outro lado, a tradição em segurança é respeitada: os sistemas de alerta de colisão e de deteção de peões fazem parte do equipamento de série do SUV compacto da Volvo, com preços a partir de 35.000 euros na versão Tech Edition T3 de 156cv.

Sentido de bem receber
Além de um acabamento bastante refinado, o XC40 também tem ainda uma excelente capacidade para acolher volumes consideráveis na bagageira. Dois adultos ficam confortáveis nos assentos traseiros, mas o corte da porta traseira não facilita o acesso, e o espaço para as pernas generoso fica um pouco distorcido pelo tamanho relativamente reduzido do banco. Por outro lado, como nos outros modelos da Volvo, o conforto dos estofos faz parte da sua imagem de marca.

Ao se concentrarem em obter uma grande distância entre eixos que favorecesse o espaço a bordo, na realidade a bagageira acaba por ter uma capacidade banal: 460 litros com o assento no seu lugar. O limite de carga também é um pouco escasso mas, vários ‘truques’ de modularidade são bem-vindas como os diversos pontos de ancoragem, um piso dobrável para separar o porta-malas e um banco dobrável que fica perfeitamente plano – basta tocar em dois comandos elétricos muito acessíveis para o rebater.


Na estrada: pouco supreendente mas muito eficaz
Talvez o que seja mais frustrante seja não termos encontrado muitas surpresas. O XC40 é agradável para conviver connosco na vida real mas, na verdade não revela muitas coisas que estavam fora das nossas expetativas. Sem sair do lote dos carros escandinavos, o chassis desenvolvido sobre uma nova plataforma (a CMA, que será usada no futuro V40 previsto com uma motorização 100% elétrica) ofereceu um conforto muito considerável nas vias de auto-estrada que percorremos.

No entanto, assim que saímos de uma superfície de asfalto lisa das vias principais, o amortecimento revela-se inutilmente rígido. Esta sensação deve-se principalmente às grandes jantes de 20 polegadas da versão R-Design que conduzimos, simplesmente inútil nesse tipo de percurso. Fotogénicas para os jornalistas, mas é tudo...
O melhor para o futuro proprietário será optar por um equipamento mais modesto e condizente com o carro. Estilo ou conforto, nem sempre se pode ter tudo!
Agrada sim a suavidade de marcha do XC40. Esta gera entusiasmo logo ao início, e de resto revela-nos um sentimento geral neutro e reconfortante. A transmissão integral cumpre bem o seu papel, a motricidade é simplesmente incrível e nada se perde na passagem da potência ao solo. Ainda assim faz-se de uma forma algo rude e não existe nenhuma suspensão pilotada para ajudar a repartir o peso consideráveis por ambos os eixos, como existe em alguns dos seus rivais com configuração equivalente!

O XC40 pesa cerca de 1,7 toneladas na versão de gasolina que experimentámos (a topo de gama T5), contando para a puxar com um motor de 2 litros de 247 cv que, felizmente, consegue proporcionar uma aceleração excelente: 0 a 100 km/h em somente 6,5 segundos!
Pena que as sensações obtidas na aceleração sejam um pouco abafadas demais pelo ruido do motor, com uma sonoridade pouco inspiradora... Em todo o caso o 4 cilindros da Volvo prefere uma condução plena de convicções, porque em caso contrário, a caixa de engrenagens Geartronic de 8 velocidades torna-se hesitante e nem sempre suaviza a sua operação, seja qual for o modo escolhido.

Ao pormenor...
Mais modesto é o XC40 de entrada na gama, equipado com um novo motor de três cilindros a gasolina e um sistema de tração num único eixo. Mais sóbrio do que o T5, ainda perguntamos sobre a média de 11 l. / 100 km. Não é tão aliciante em termos de condução e identifica o XC40 como um pequeno SUV de luxo. Curiosamente, o Diesel D4 (190 cv) pareceu-nos um pouco melhor isolado do ruido do motor (exceto em altas velocidades) e com um funcionamento mais homogéneo, graças ao seu generoso torque (400 Nm).
Uma surpresa para nós, num momento em que o Diesel está em declínio, revela-se mais flexível e com uma caixa melhor gerenciada, é um bom companheiro no dia-a-dia. Mas, uma vez mais, o peso exagerado volta aqui a fazer ‘estragos: a nossa média no final do ensaio foi mais de 8 litros por cada 100 km, o que sem solicitações severas como foi o caso, é um pouco demais!

Conclusão
A versão que experimentámos, o XC40 T5 com caixa Geartronic de 8 velocidade e AWD custa a público 55.499€, o que na nossa opinião é pagar demais pelo simples carisma de um 4 cilindros, mesmo tratando-se de um dos modelos melhor equipados do mercado. A qualidade de construção e acabamentos seduzem, mostra a imagem Volvo em pleno renascimento e em boa forma, e são muitos os benefícios que trazem para o quotidiano do seu utilizador.
E ainda que não faculte uma condução com ADN desportivo, todos estes facotes não devem impedir este novo XC40 de ter uma carreira tão brilhante como a dos seus irmãos maiores… desde que concordem com a fatura a pagar! Afinal, o sucesso de um certo Range Evoque, prova que o capital de simpatia de um automóvel, é muitas vezes uma das qualidades mais reconhecidas.

Preços e versões
Volvo XC40
- XC 40 T3 1.5 de 156cv FWD (gasolina): desde 35.000€ (PVPR)
- XC 40 D3 2.0 de 150cv FWD (diesel): desde 39.957€ (PVPR).
- XC40 R-Design D4 AWD de 190cv (diesel): desde 156.108€ (PVPR)
- XC40 R-Design T5 AWD de 247cv (gasolina): desde 55.449€ (PVPR)


































































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